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Lastro, rastro, mastro – e a importância do networking

Publicado em 19/07/2023

Em certa altura da vida, resolvi empreender. Depois de quase 15 longos anos em uma mesma organização, senti vontade de bater asas e conhecer o mundo. Abandonar gaiolas é condição amedrontadora – e ao mesmo tempo, entusiasmante. Tecnicamente trata-se de buscar novos voos, e novos lugares, carregando o aprendizado acumulado – aquele que dizem ser a única coisa que não se consegue tirar de um profissional.

O que eu não tinha consciência? Da pesada perda do sobrenome. Ao longo do tempo, a conexão criada com as pessoas carrega a instituição da qual fazemos parte. Um sobrenome institucional que é difícil de se desvincular. Toda a nossa competência, habilidade, excelência, pode acabar restrita àquela velha gaiola. E o lastro de qualquer bom profissional é a entrega anteriormente realizada. Que, sim, sofre influência do seu antigo habitat – mas, na mesma medida, influencia esse lugar que não mais lhe cabe.

Inegociável é o fato de buscar fazer sempre o nosso melhor – no lugar que for, com as condições que estiverem disponíveis. Sem essa premissa, não há competência que perdure – simplesmente por se constituir como potencial não realizado. Há de se ter história pra contar. Certa vez, ouvi do sr. Mario Konzen, presidente da Casa Cooperativa de Nova Petrópolis – “um cooperativista precisa ter consciência do rastro que deixa”. Tal rastro, e seus impactos nas conexões que estabelecemos, contribui com o lastro de nossa atuação.

Egressa de uma organização, foi preciso paciência nos períodos subsequentes à cisão. A crise de identidade é incômoda – e notar que o tratamento recebido de acordo com os interesses e conveniências envolvidos mudam – fato ainda mais desconfortável. Aprendi recentemente a expressão de que lastros excessivamente institucionais são como “criança no colo de mãe”: bonitinha, fofa, engraçadinha – desde que não demande coisa nenhuma.

A autoconsciência sobre potencialidades que carregamos, e histórias que somos protagonistas, é o mastro que completa o raciocínio. E quando estamos convictos de novos caminhos, sinérgicos às nossas possibilidades de contribuição – as portas começam a se abrir. Como? Primeiro é preciso fazer, para depois enxergar os efeitos (que, em geral, vão muito além de nossa imaginação).

Em 2019 iniciamos a grande aventura de empreender nossa cooperativa, a Coletiva. Além da razão óbvia do nome – um coletivo de profissionais desejosos em atuar conjuntamente; a alcunha vem de nosso objeto social – a educação. Significa, portanto, co-educar. Porém, para ser “co”, era necessário buscar novas conexões, abrir portas, conectar necessidades às nossas ofertas. Nosso caminho inicial? Além de apresentar nosso negócio para pessoas positivamente impactadas por nosso rastro – com quem tínhamos lastro, confiamos no mastro e nos lançamos ao mar. Dentre variados oceanos, o mar de oportunidades que é o LinkedIn.

Mar agitado, com ondas grandes e marolas. Tubarões e cardumes – aos quais nos juntamos. Ao agarrarmos o mastro do cooperativismo, com a convicção que nos é cara, é impressionante olhar para trás e ver quantas acolhidas recebemos!

Desde dúvidas jurídicas sobre a nossa constituição, a oportunidades de projetos vindas de gente que nunca ouvira antes falar de nós. Do convite a lives gigantescas, talvez pelo notável entusiasmo com a causa, a propostas de conexão. De oportunidades de novos negócios – muitos deles efetivados ao longo de nossos três primeiros anos, à realização de parcerias sinérgicas e frutíferas. Este mastro, que carrega uma bandeira tão honrosa, já nos permite deixar novos rastros, que lastreiam com firmeza o que ainda está por vir.

Pura fé? Claro que não! Trabalho diuturno, de consistência, autenticidade, enfrentamento dos medos, exposição, encorajamento. Aprendizado! Fluidez que custa a vencer a inércia, mas que uma hora acontece, e a gente já nem sabe como fazer diferente.

Uma alegria os encontros presenciais, oportunizados pelo mundo virtual. Gente de carne e osso que, de tão ligada, a gente sente à distância a torcida, o abraço e o querer bem. Que, cooperativamente, é recíproco! No ar, individualmente, como passarinhos podemos descansar no galho por confiar nas próprias asas. No mar, aprendemos que nadar em cardume nos fortalece – e afugenta predadores. Na vida, um passo por vez, com as melhores intenções de rastros geradores de orgulho e alegria. Em frente, sempre. E juntos.

 

Por Maíra Santiago, diretora-presidente da Cooperativa Coletiva