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O líder que deseduca

Publicado em 04/06/2020

Sabe quando você passa por uma experiência que sente vontade de dividir com outras pessoas, para saber o que elas pensam ou se já passaram por isto? Foi o que me ocorreu um dia desses.

Estava prestando consultoria temporariamente em uma grande instituição, com mais de 100 mil colaboradores e que valoriza a evolução de seus profissionais.

Eu participava de todos os processos e atividades com os demais colegas desta empresa. Recebemos dias anteriores um invite de reunião com nosso “gestor” para análise de resultados e acompanhamento das atividades deste projeto – até aqui nada demais – acredito que muitos de vocês já viveram ou vivem situações semelhantes semanalmente.

A reunião seria conduzida numa das várias salas disponíveis e concorridíssimas na bela estrutura predial, o horário combinado era às 14 horas com duração de 3 horas, o “gestor” estava em um outro prédio e chegou no local combinado com 1 hora de atraso por conta de alguns compromissos, com a chegada dele no ambiente onde nós estávamos, tudo começou a mudar.

"Semelhante a uma peça teatral, a primeira cena foi que alguns colegas mudaram seus comportamentos e começaram a trabalhar com afinco, após a chegada do “gestor”, e eu me perguntando porque desta mudança repentina."

Nossa reunião que começaria as 15 horas, iniciou com mais 15 minutos de atraso. A partir deste momento houve a troca de cena neste episódio teatral, primeira cena – funcionários extremamente comprometidos, para segunda cena – a reunião sem fim.

Este “gestor” que se intitula como líder, iniciou a reunião passando item por item de toda a sua pauta. Criava seus próprios combinados em relação as ações necessárias e dava risada de suas próprias piadas.

Enquanto o restante da equipe (quase 10 pessoas) se comportava como verdadeiros figurantes durante todo este processo pois, assim como plantas, parecíamos estar ali apenas para deixar o ambiente mais bonito e aconchegante! Uma vez que nossas opiniões não eram solicitadas e a interação era mínima.

Existe a possibilidade de alguns de vocês que leem este texto, pensarem “nossa que dura colocação, será que foi assim mesmo?”, quero que tirem suas próprias conclusões dos fatos.

Segunda tomada desta cena “reunião se fim”, enquanto 4 pessoas participavam da reunião, tentando acompanhar a fala do “líder” que conduzia, um outro colega acessava suas redes sociais para atualizar a time line dos seus amigos virtuais (avaliando as fotos e curtindo quando gostava das imagens). Quando cansou da interação por esta página de relacionamento, ele se envolveu com seu novo desafio, a pesquisa e a compra de seu próximo supercomputador que demandou um tempo em suas análises de memória, espaço e designer.

Enquanto isto, outros participantes se divertiam com fotos tiradas durante a reunião e postadas no grupo de WhatsApp que o “líder” não participa, diversão garantida por todos os componentes deste episódio tão legal que poderia ser apresentado na Netflix e geraria uma bela comédia.

Ao término desse episódio, percebi que em alguns momentos da reunião eu estava desconectado com o conteúdo apresentado e cheguei à conclusão de quanto desperdício de tempo, energia e dinheiro. 

Com base no fato descrito, busco respaldo em uma pesquisa apresentada na revista Forbes sobre maus hábitos que tornam reuniões de trabalho improdutivas, em 2015 as organizações promoveram mais de 25 milhões de reuniões por dia, só nos Estados Unidos. Isso em valores representa mais de U$ 37 bilhões perdidos em produtividade, de acordo com um estudo realizado pela Fuze.

"A Harvard Business Review reportou que 67% das reuniões podem ser consideradas improdutivas e 15% apenas uma perda de tempo das instituições."

 

Estes estudos deflagram o comportamento de líderes que muitas vezes deseducam suas equipes com atitudes imperceptíveis por falta de consciência. A reunião é uma ferramenta que o líder pode utilizar para demonstrar suas competências com ações bem direcionadas. O X da questão é que se o “líder” deixa de perceber toda esta responsabilidade e age de maneira equivocada, impacta no desenvolvimento e resultado das pessoas.

Quem já conviveu com superiores hierárquicos como o citado anteriormente, vão provavelmente se identificar com algumas características comportamentais comuns entre os   ”líderes” / chefes:

Dificilmente Escuta alguém: Normalmente ele demonstra impaciência em ouvir, além de saber onde tudo vai acabar. A relação com ele é fria e a equipe começa a desacreditar da liderança.

Somente o chefe fala durante as interações com a equipe: a opinião dos outros pouco importa, porque a decisão já foi tomada com base em toda vasta experiência, em alguns casos ele manipula para alcançar o que deseja.

Correções ou Broncas na frente de todos: Acreditando que está forma de correção na frente de todos servirá como lição para os demais, eles “rasgão” o verbo sem analisar os impactos desta ação, e acreditam ser a melhor maneira de repassar a informação para toda a equipe.

Feedbacks pouco assertivos: Muitas vezes estes líderes realizam feedbacks para cumprir tabela na empresa. Nestes casos o bate papo é raso e pouco producente, gerando o sentimento de insatisfação por falta de direcionamento e clareza.

Foco apenas nos resultados: Muitos parecem não se importar com as pessoas, se preocupam com a última linha do resultado que precisa ser positivo para o bem de todos.

Quantas responsabilidades um líder carrega simplesmente pelo fato de possui uma equipe. A falta de capacidade na condução poderá impactar diretamente muitas carreiras, então possuir discernimento para atuar e proximidade com a equipe pode favorecer todos os envolvidos, porque o ambiente de trabalho deve ser um lugar prazeroso.

No livro publicado em 2015 “Todos são importantes” escrito por Bob Chapman CEO da Barry-Wehmiller e dos estudos do pesquisador Raj Sisodia, alguns aprendizados podem servir para a transformação de chefe em líderes:

  • Crie um ambiente baseado na confiança, para isto converse com sua equipe e tente entender quem eles são e quais  desafios estão enfrentando;
  • Faça os funcionários perceberem que possuem uma função significativa;
  • Inspire uma sensação de orgulho e seja autenticamente humano.

Estes são os primeiros passos para o desenvolvimento de um grupo que se transforma em uma equipe. Que passa a confiar em seu chefe, e desta forma se torna um líder.

"Que deixa de mandar e passa a direcionar e acompanhar todos. Que evolui deixando de deseducar e inicia o processo de educação."

A grande lição para todos os chefes, coordenadores, supervisores, gestores e quem ocupa um cargo de confiança em qualquer organização, é que se você não educa sua equipe, você não é um líder!

Seja bem-vindo neste novo ambiente que exige uma adaptação de todos nós, para evitarmos participar ou conduzir cenas de teatro no mundo corporativo.

Texto por Luís Caversan

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